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Produção de leite em confinamento: Instalações e conforto animal - Parte 1

Por Rafaela Carareto Polycarpo
postado em 06/07/2011
Atualmente, com a intensificação dos sistemas de produção de leite, tem aumentado a preocupação dos técnicos e produtores com questões relativas ao conforto animal. Inúmeros são os fatores que afetam o conforto animal, dentre eles podemos destacar: o estresse provocado pelo calor, por problemas de comportamento social das vacas e pelo uso de instalações inadequadas. Neste artigo vamos dar início a discussão sobre as principais instalações utilizadas em confinamentos.

Dimensionamento de cocho

O espaço de cocho disponível não é fixo, pode variar em função do tamanho do lote, da quantidade e da disponibilidade de comida ao longo do dia. A tradicional medida de 0,60m de espaço entre as vacas permite que todas as vacas visitem o cocho ao mesmo tempo. Porém esta medida pode ser alterada quando se utiliza dietas totalmente misturadas, isto é, quando o volumoso é oferecido junto com o alimento concentrado, com ótimo manejo dos cochos e a separação dos animais em grupos pequenos e homogêneos. De acordo com Grant e Albright, 2000, o espaçamento de 0,2 m de cocho por vaca seria o limite sem causar decréscimo no consumo de alimento. A Tabela 1 resume alguns dados de espaçamento e alterações no comportamento alimentar.

Tabela 1. Espaçamento de cocho e ingestão de matéria seca (IMS) de vacas em lactação1.



Com relação as agressões, o aumento no espaçamento de cocho para 1m pode reduzir as agressões entre as vacas em 57%, comparando com o espaçamento de 0,5m (De Vries, 2004).

Dimensionamento das Baias

Produtores de leite são confrontados com uma série de recomendações relativas às dimensões adequadas para o free-stall. Por exemplo, recomendações gerais para o comprimento da cama variam entre 200 a 274 cm, e as recomendações para um espaço livre para a movimentação da cabeça do animal entre 40 e 60 cm (Faull et al., 1996; Bickert, 2000). Recomendações para largura geralmente são dadas em termos de tamanho dos animais. Recomendações comuns são cerca de duas vezes a largura da anca, que muitas vezes se traduz em cerca de 100 a 120 cm. Pouco se sabe sobre a variedade de tamanhos de free-stalls encontrada em fazendas na América do Norte e na Europa. Em levantamento feito em 37 fazendas no Reino Unido, verificou-se que 87% das baias mediam menos de 230 cm de comprimento e 50% tinham entre 115 e 122 cm de largura. A variação nas recomendações reflete a falta de resultados adequados sobre dimensões em free-stalls e seus efeitos sobre o comportamento da vaca.

O tamanho e o design da baia e o tipo de material da cama são fatores muito importantes que determinam o conforto animal. Animais mantidos em baias com dimensões ideais conseguem entrar e sair das mesmas sem dificuldades, além de defecar fora da cama, ajudando a manter as baias limpas por mais tempo.

Há grande variação nas recomendações das dimensões das camas entre diferentes fontes. Em trabalho publicado na década de 80 (Curtis e Nimz, 1988) e usado com referência por Albright e Arave (1997) foram apresentadas as dimensões recomendadas para as baias de acordo com a idade e peso animal (Tabela 2).

Tabela 2. Dimensões recomendadas de baias para fêmeas leiteiras de acordo com o peso e com a idade.



Tabela 3. Dimensões da cama de acordo com o peso dos animais



Além do tamanho da baia, outro item muito importante é com relação a cordoalha ou barra de contenção de pescoço (neck rail) utilizada na baia. Seu uso de maneira correta é fundamental para manter a baia limpa e permitir que o animal deite e se levante corretamente da baia. Estes protetores não precisam ser móveis, porém devem ser instalados nos devidos lugares, pois se alocados muito na frente podem dificultar os movimentos de entrada e de saída dos animais e se colocado muito para trás perde a função de fazer com que o animal defeque fora da cama.

Um animal ao se levantar em uma cama com dimensões adequadas, transfere o peso para as pernas traseiras por um movimento para frente, usando os joelhos como ponto pivô (figura1). Em uma cama curta, maior quantidade de peso é levantada pelas pernas traseiras devido ao inadequado espaço para os movimentos, resultando em excesso de cama jogada para for da baia, buracos na cama e ferimentos na região dos jarretes dos animais. Costuma-se deixar 0,7m de cama para a região da cabeça do animal, e 168 cm ou mais de cama para restante do corpo do animal.

Figura 1: vaca no momento em que está levantando



Na parte da frente das baias, pode-se utilizar placas de contenção do peito, as quais têm função de definir o espaço para o corpo da vaca e a desencoraja de mover-se muito a frente, invadindo a baia da frente.

Para finalizar, segue algumas dicas de observações que são importantes para verificar se as dimensões do free-stall estão ou não adequadas:

 Vacas batendo nas divisórias ou contenção de pescoço quando deitam ou levantam, fazendo esforço para levantar.
 Vacas metade dentro metade fora das baias
 Vacas ou baias sujas
 Vacas deitadas nos corredores, preferindo a sujeira
Ao contar os animais que não estão comendo ou bebendo dentro do curral, deve-se obter a seguinte condição:
 80% ou mais deves estar deitadas fazendo leite
 5% ou menos devem estar de pé na baia
 Vacas devem se deitar dentro de 5 minutos da chegada na baia

No próximo artigo discutiremos sobre cama, pisos e superlotação do confinamento.

Referências
ALBRIGHT, J. L., ARAVE, C.W. The Behaviour of Cattle. CAB International, Cambridge, UK, 1997.
DeVRIES, T. J., VON KEYSERLINGK, M. A. G.; WEARY, D.M. Effect of feeding space on the inter-cow distance, aggression, and feeding behavior of free-stall housed Holstein dairy cows. Journal of Dairy Science, v.87, p.1432-1438, 2004
FAULL, W.B.; HUGHES, J.W. ; CLARKSON, M.J.; DOWNHAM, D.Y.; MANSON, F.J.; MERRITT, J.B.; MURRAY, R.D.; RUSSELL, W.B.; SUTHERST, J.E.; WARD, W.R. Epidemiology of lameness in dairy cattle: Influence of cubicles and indoor and outdoor walking surfaces. Veterinary Record., v.139, p.130-136, 1996.
GRANT, R. J., ALBRIGHT, J.L. Feeding behaviour. In: D'Mello, J.P.F. Farm Animal Metabolism and Nutrition, ed. CABI Publishing. Wallingford, Oxon, UK, p.365-382, 2000.
SANTOS, F.A.P., CARARETO, R. PACHECO-JUNIOR, A.J.D. Conforto de Bovino Leiteiros em Sistemas Intensivos de Produção. Anais do 6º Simpósio sobre Bovinocultura Leiteira. Fealq. 2008.

Comentários

Gian Carlo Seganfredo Concórdia - Santa Catarina - Estudante postado em 06/07/2011

ESSE ARTIGO É IMPORTE, DEVIDO A NECESSIDADE CRESCENTE DE PRODUZIR MAIORES QUANTIDADES EM...

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COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO Lençóis Paulista - São Paulo - Consultoria/extensão rural postado em 08/07/2011

Rafaela,

Bons dados e informações, texto importante para produtores!

Destaco um...

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SERGIO LOPES Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite (de vaca) postado em 13/12/2011

Prezada Rafaela,
Tenho pensado muito em confinamento,
Existe algum projeto construtivo...

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